
Antonio Possidonio Sampaio ou a Novela
Urbana e Social
Paulo Dantas
Antonio Possidonio Sampaio
Conheço o baiano Antonio Possidonio Sampaio desde antiga
data. Moramos num apartamento em uma república estudantil.
O
moço escritor já se mostrava inquieto e batalhador. A Arte da Paquera, seu livro de estréia, já demonstrava uma arte
de terrível paquerador.
Depois
do meu desterro de Brasília, encontro-o num apartamento na Rua Francisca
Miquelina, perto do Tribunal Regional Eleitoral. Nessa repartição pública onde
eu padecia nas garras da burocracia.
O Antonio,
vizinho morador, fabricava em uma máquina de escrever seus esboços de novelas
urbanas e políticas. Nunca conheci um escritor, através de uma angústia social,
preocupado com os problemas emergentes da política nacional.
O
moço baiano espalhava preocupações no ar. Enfrentava os dramas de uma cidade
grande posta acima de qualquer suspeita.
Rebelde
e inquieto não era filiado a nenhum partido político. Decretava sua
independência preocupado com os episódios da hora presente.
Era
uma espécie de antena, captando os acontecimentos presentes e das horas
passadas. Escrevendo bem, nada filiado a nenhuma escola literária, sofrejava
denúncias, longe das queixas e reclamações.
Amava
a grande cidade, suas ruas e repartições públicas, não era dependente delas.
Seu
dia cotidiano estava cheio de passos perdidos, através de instantes sociais e
políticos.
Suas
novelas projetadas num meridiano feito eixo carregados de angústia social abria
como novelista caminhos e novos rumos.
Mente
quem diz que não existem romances sociais. Existe sim, em todos os Estados do
Brasil.
A
novelística desse tipo possui livro a mão cheia. Aqui nessa faixa, Antonio
Possidonio segura como um exemplo. Apesar das suas novelas aparentes repetidas,
é um grosso erro já que nas suas páginas encontramos registros romanceados,
oferecendo exemplos de uma vivacidade ímpar.
Os
personagens criados pelas observações colhidas nos dias idos e vividos, longe
de ser um romancista filiado às correntes dos ciclos nordestinos com um estilo
gostoso cheio de ironia e piedade.
Suas
esquinas não são do pecado, nem tampouco da solidão. O novelista não entrega os
pontos, longe das aparências. Depois da festa dos papagaios em primados, o
novelista sem perder o processo e o feitio, reúne os companheiros
revolucionários ou lutadores pelo bem estar coletivo.
Essa
novela prenunciava o aparecimento de um rigoroso romancista conforme prova seu
último livro, No ABC dos Peões.
Nesse
romance o conhecido advogado proletário apresenta até uma novidade: a voz de
Riobaldo, aquele jagunço genial criado pelo romancista dos gerais e mineiros.
Suas
falas são andantes companheiras.
No
entanto quando o romancista se aproxima das realidades imediatas, torna-se
político militante, já que lhe falta a perspectiva histórica, recuado no tempo
e no espaço partidário.
Antonio
Possidonio Sampaio, deixando a capital com seu automóvel, torna-se advogado
militante do ABC.
Nesse
triângulo do progresso industrial de São Paulo, defende causas proletárias.
Mais não longe a que o talentoso
escritor se torna um militante de Deus, que é paciência e não o advogado do
diabo que o contrário.
Paulo Dantas, escritor, crítico literário, autor
de Vozes do Tempo de Lobato, entre
outros livros, é vice-presidente da Academia de Letras de Campos do Jordão.