
A LEITURA DE UMA OBRA
Joaquim Branco
A leitura da obra literária – em especial
quando se trata de poesia – oferece dificuldades e limites a quem se aventura
por ela. E não raro as pessoas se sentem frustradas, perdem-se no caminho e
interrompem o ato de ler. “Trouxeste a chave?”, diria o poeta Drummond.
O poeta-crítico José Paulo Paes, para quem o problema está
relacionado a alguns pré-requisitos da parte do leitor, ressalta a necessidade
de uma passagem preliminar, na infância e na adolescência, pela chamada leitura
de entretenimento. Por exemplo, a obra de Monteiro Lobato e outras que a escola
moderna abandonou.
José Paulo, nessa mesma entrevista, falando de um
comportamento mais produtivo para a poesia, afirma que é essencial “uma atenção
mais distraída” a quem queira se aproximar do texto poético. E aconselha: “Você
tem que se deixar penetrar pela música do poema e por via dessa música chegará
à compreensão”1. Só após o entendimento “intuitivo”, o leitor deve tentar
uma análise mais técnica e assim chegar à estrutura de um poema. Nessa segunda
fase, o conhecimento de teoria literária e de mecanismos críticos para se
penetrar na complexidade que toda obra apresenta levará o leitor a uma etapa
mais avançada e até fruitiva.
Recentemente foram publicados dois livros que podem ajudar o
estudioso do assunto. Leitura de
poesia, organizado por Alfredo Bosi, para a Editora Ática, e Poemas para
crianças, organizado por Hélder Pinheiro, editado pela Livraria Duas
Cidades.
Ambos, cada um, dentro de sua temática e perspectiva,
reunindo especialistas na leitura crítica e avaliação de textos literários, nos
proporcionam momentos de enriquecimento cultural e nos preparam para penetrar
mais intensamente no mundo da poesia.
1 SANCHES, Miguel. Poética
do fronteiriço, rev. Morcego Cego, Florianópolis, 1996, p. 95.
Joaquim Branco é poeta, professor das Faculdades
Integradas de Cataguases - FIC,
doutor em Literatura Comparada pela UERJ.