Antonio Possidonio Sampaio

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FILOSOFIA, ARTE E POESIA

 

Alaer Garcia

 

Olha o olhar de onde

Ela (ele) está olhando,

O olho de onde vêem

e vê o outro olho

no olho do outro,

e no espelho que vê

A si mesmo sem ver.

 

Vai longe o tempo

Que se via uma só vez.

Hoje o olhar não vê

Só o quer ver

Vê com os olhos da

TV, vista e revista.

 

Será que poesia é válida apenas onde as questões filosóficas não resolvem, ou seja, uma outra maneira de ver ou ouvir. Mas pelo amor de deuses não façamos plásticas de palavras, palavras são instrumentos, semelhantes àquela oficina mecânica que guarda peças de carros usados.

Que tal dizer de meu próprio punho; as nuvens são as folhas da arvore do céu. E o que dizer com a ciência que as nuvens é água evaporada, mas que pode causar tempestade, furacões e muitas mortes...

Nem usar muitas metáforas, como: ‘pérola aos porcos’ e ‘água que passarinho não bebe’ A poesia está na forma sem dúvida, mas não tem obrigação de ser funcional ou fisiológica.E na Ave Maria cheia de graça...”`Bendito o ‘fruto do vosso ventre’...”.

E o cinema e o seu percussor que é fotografia não tem poesia?

Sobre as metáforas, ficou célebre o filme sobre Pablo Neruda. Não vou dizer agora, mas disse na época, talvez por questões culturais que o filme como obra de arte sobre o poetar era no mínimo três vezes melhor e de valor comunicativo do que toda a poesia de Pablo Neruda. Por que eu tinha estado no Chile e senti que era muito fácil ser poeta em uma natureza tão disforme, com acidentes entre montanhas (aliás, cordilheira, pois o jovem chileno não usa a palavra monte, já é cordilheira, e o mar, numa semelhança de um Japão ou uma Inglaterra espichados em 5.000 km, de deserto no norte e chuvas diárias no sul.) Outro detalhe é que Pablo Neruda já admirava a professora que ganhou prêmio Nobel de poesia Gabriela Mistral, de sua cidade natal’, depois aderiu ao comunismo, como era moda, foi expatriado e por acaso ou não, fica amigo do poeta Garcia Lorca na Espanha, com as mesma ideologias. Acidentes naturais com acidentes e acasos de fatos. Assim a filosofia não deve desprezar a poesia e esta também não deve ficar em seus invólucros.

FJ gostava de poesia viva. Quando viu na TV o debate do deputado Roberto Jeferson para o líder Jose Dirceu, um dos filhos de Stalin -: Deputado, o Sr. desperta em mim os instintos mais primitivos, por isso ele tinha medo dele. Isso era poesia de mais alta qualidade humana. Não gostava dos excessos de metáforas como Pablo Neruda no Chile em que a natureza é tão diversificada que muitos pode ser poetas. Semelhante é Manoel de Barros com suas metáforas para falar da grande diversidade do Pantanal, em visão regional.

Alaer Garcia é médico e escritor, autor de Sem Tesão, não há Solidão.